Pois é... Como fui pra São Paulo com poucas peças de roupa, e decidi ficar de vez em Sampa, tinha que voltar à Marília para pegar mais coisas. E é claro que iríamos de moto, afinal, precisávamos nos acostumar a viajar.
O Nairo, que trabalha com o Ricardo já havia cutucado a gente falando de ir pro Atacama de moto. Eu já tinha aceitado e o Ricardo precisava resolver as férias dele. Então precisávamos andar...
Antes de comprar a moto, compramos as roupas, que diziam se impermeáveis. Jaquetas Joe Rocket pros dois e calça apenas pro Ricardo. E tínhamos apenas uma capa de chuva, que o Ri comprou pra ele, mas que ficou pequena pra colocar por cima da jaqueta.
No dia que fomos pra Marília estava chovendo fraco, então cooquei a calça da capa de chuva e fui com a Jaqueta que dizia ser impermeável, coloquei uma bota de caminhada impermeável, porém de cano curto.
Ainda em São Paulo senti água entrar na bota. Ao chegar na estrada senti água entrar na jaqueta, o frio estava forte. Uma hora depois pedi pro Ri parar, mas já era tarde demais, estava encharcada... Coloquei a capa de chuva pra ver se cortava um pouco o frio. O Ri disse que estava seco, continuamos, e a chuva conosco. Fomos com chuva forte até Bauru, 350km depois. Paramos um pouco e os dois estavam encharcados e congelados. Tomamos um café pra esquentar e seguimos até Marília. Quando chegamos tomamos um banho quente pra esquentar e desmaiamos sem nem ao menos comer alguma coisa.
Achei que essa seria a pior viagem de todas que ainda faríamos, mas estava enganada, já tiveram piores. Mas gostei de viajar sem mochila nas costas. Ainda estava dura em cima da moto, não conseguia me mexer direito, e não tinha me acostumado a ver apenas uma parte da estrada, já que tem um grande capacete na sua frente. Eu tentava olhar a estrada pelo lado esquerdo do capacete do Ricardo, então todo o lado direiro do meu corpo começava a repuxar, mas não conseguia virar de lado, como se estivesse colada naquela posição. O engraçado é que na primeira viagem isso também aconteceu, mas do lado contrário, então sabia que conseguia ficar do outro lado, mas naquele dia não.
A estrada pra Marília é uma reta só, com algumas poucas curvas antes de chegar em Bauru, e nas curvas sentia medo e fechava os olhos, como uma criança na montanha russa. Há uns dez anos atrás levei um tombo de moto, com um namoradinho, numa curva com óleo. Acho que traumatizei...
Mas apesar de toda a dor, a vontade de viajar estava crescendo...
Voltei pra Sampa de carro e o Ri de moto, tirei várias fotos dele do celular...
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