Finalmente o dia das compras tinha chegado!
Logo que saímos do hotel começou a chuva começou a cair. Paramos num posto, mas percebemos que a chuva ia demorar a passar, então partimos rumo à Ponte da Amizade em baixo de chuva.
Paramos num estacionamento do lado brasileiro, pois achamos arriscado entrar com a moto no Paraguai. A chuva não cessava, então colocamos nossa coisa dentro da mochila do Cachorro Loco do Ricardo, que dizia ser impermeável. Compramos duas capas de chuva por R$5,00, um roubo, e a do Ricardo rasgou assim que ele colocou o braço.
Ao atravessar a ponte, a chuva só aumentava, o vento jogava água para todos os lados e aquela capinha não servia pra nada, já estávamos encharcados.
Fomos procurar as lojas de acessórios para motos, entrávamos num shopping, em outro e cada vez que saíamos a chuva parecia mais forte. Estava um inferno. As calçadas são cheias de barracas, tipo as dos nossos camelôs, nem dá pra vê o céu, pois as lonas são montadas umas em cima das outras, cobrindo tudo, e todos se espremiam pra não se molhar.
Eu estava de galocha, então meus pés era a única parte do meu corpo que estava seca, a jaqueta de moto estava razoavelmente seca, mas as mangas estavam bem molhadas. Estava com calça jeans de moto, mas sem as proteções, o que a deixava mais larga, e com o peso da água ela ficava caindo e estava muito pesada. O Ricardo estava todo molhado, a jaqueta dele estava ensopada e seus pés nadavam dentro da bota.
As ruas viraram rios, ou melhor, corredeiras. Daquelas ladeiras descia uns dez centímetros de água. A cada passo que a gente dava, a água subia até os joelhos. As barracas pareciam que iam voar de tanto vento. Ainda era manhã mas havia virado noite, o céu estava preto e trovejava sem parar.
Depois de entrar em praticamente todas as lojas de moto, decidimos comprar as botas. Quando sentamos na loja percebemos que havia entrado muita água na mochila e tudo que estava dentro estava encharcado.
Saímos da loja calçando as botas, mas como nossas meias estavam molhadas colocamos as botas sem meias, as costuras estavam pegando na pele, sabia que não ia agüentar voltar caminhando, então resolvi o problema com pedaços de fita adesiva que peguei da loja, colei na pele onde a bota raspava e pronto!
Tínhamos pressa. Ainda teríamos muito pra rodar nesse dia. Paramos pra comer no Mc Donald’s (não me atreveria a comer em outro lugar na fronteira). Antes de atravessar a ponte de volta ainda conseguimos achar o intercomunicador.
O tempo já estava melhor. A chuva tinha parado e o sol ameaçava sair.
Mesmo tendo comprado pouca coisa, achamos melhor declarar nossa compra. As peças de uso pessoal, como botas e acessórios não foram declaradas, pois passariam da cota. Declaramos apenas o intercomunicador, pois é eletrônico e poderíamos ter problemas caso a polícia nos parasse. Ainda bem que não demorou muito.
Saindo de Foz ficamos assustados, parecia que tinha acabado de passar um furacão. Ainda bem que estávamos entrando e saindo de shoppings, protegidos. Não posso nem imaginar o que poderia ter acontecido conosco se estivéssemos em cima da moto na estrada. Não havia sobrado um outdoor inteiro, todos estavam retorcidos, árvores no chão, galhos e folhas jogados por todos os lados. Ao passar pela Polícia Rodoviária vi um policial atravessando a pista pra pegar um pára-choques de um dos carros batidos que deve ter voado pro outro lado. Parecia um cenário de filme. Tudo destruído. O vento ainda estava forte, mas nada que a gente não tivesse passado antes.
O dia tinha sido longo. Estávamos exaustos, minha bunda doía de tal jeito que não conseguia mais ficar sentada. A dor estava acumulada desde o primeiro dia, mesmo descansando a noite, quando sentava na moto, apenas os primeiro minutos eram sem dor, depois era uma dor insuportável que não sei como agüentei. Paramos num hotel na beira da estrada. Preço bom, parecia legal, estava tão cansada que estava ótimo. Tomei um chá na recepção que caiu como uma luva, pedimos lanches pois o restaurante ia fechar. Chegando ao quarto tomei banho e desmaiei, nem comi meu lanche.



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