O Ricardo estava em banco de horas e quando descobriu que eu não teria aula no dia seguinte falou: Vamos dar um pulinho no Paraguai, fazer umas comprinhas?
Eu não acreditei que ele estava falando sério. Enrolei, enrolei, mas não teve jeito, arrumei umas roupas e subi na garupa.
Saímos por volta das cinco horas da tarde, e pegamos muito trânsito. Levamos uma hora e meia pra chegar na Regis Bittencourt. Já estava morrendo de fome e paramos no primeiro posto pra jantar.
Nunca tinha viajado de moto à noite antes e estava morrendo de medo, ainda mais por estar na Regis. Já era noite escura, e pude perceber as vantagens em viajar de moto. Observava um céu negro cravejado de brilhantes estrelas. Nem olhava pra estrada, tinha até esquecido que estava sentada numa moto. Apenas observava aquela cena magnífica, numa escuridão onde os faróis dos carros não conseguiam apagar as estrelas. De repente vi um faixo de luz cruzar o céu. Fechei os olhos e abri procurando de novo aquele brilho, mas a estrela já havia se jogado. É sempre fantástico ver uma estrela cadente, e sempre que vê você se pergunta se aquele espetáculo foi real. E foi... Fechei os olhos bem apertados e fiz um pedido. Mas não posso contar o que foi...
Essa deliciosa sensação de estar livre na estrada não durou muito. Achamos que só pararíamos de novo em Curitiba. Doce Ilusão! Desde pequenininha, quando ia de carro pra Santa Catarina visitar parentes de minha mãe, a tal da Serra do Cafezal está em obras de duplicação. Essa sempre foi a pior parte da ligação entre o Sudeste e o Sul do país.
Por causa de uma carreta tombada, a Serra estava parada, cheia de caminhões, acho tinha uns dez caminhões pra cada carro na estrada. Passar entre os caminhões foi uma tarefa muito difícil, em cartas partes, impossível. O jeito foi andar pelo acostamento, quando tinha, mas não tinha muito. De novo o medo... Eu estava muito cansada, com muito sono, exausta pelo dia que foi puxado até ali. Falei pro Ri parar em qualquer lugar pra dormir.
Então, quase seis horas depois de ter saído de casa, chegamos em Registro, tínhamos rodado apenas 190 km.
Quando saímos de casa tínhamos 4 objetivos:
1 –Dormir o primeiro dia em Curitiba
2- Dormir em Foz no segundo dia
3- Dormir em Curitiba no terceiro dia
4- Almoçar na feira de artesanato de Curitiba
A essa altura já estávamos atrasados, mas já eram onze da noite e eu não agüentava mais. Entramos em Registro e as ruas estavam escuras. Achamos um hotel mas estava sem luz,um caminhão arrastou alguns fios da rede elétrica e acabou deixando a cidade no escuro, mas com meu cansaço, eu queria mesmo era uma cama.
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