segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Encontro em Joanópolis

Estava decidido, iríamos em janeiro pro Atacama, conosco iriam Nairo e Ricardo. A troca de e-mails começou e não parou mais, pareciam crianças falando da excursão da escola. Afinal não vamos pro litoral, vamos para outros dois países de moto, rodando quase nove mil quilômetros. Pra facilitar um pouco essa história de dois Ricardo, convencionamos que o meu Ricardo seria RicardoS e o outro Ricardo seria RIcardoM.

Decidimos nos encontrar no dia 13/11, para que eu e o RicardoS conhecêssemos o RicardoM e falássemos um pouco sobre a viagem, como o Nairo e o RicardoS almoçam quase todo dia juntos, estão sempre trocando idéias sobre a viagem, mas faltava juntar todos.

O Nairo tinha um encontro em Tiradentes no Sábado, então marcamos de nos encontrar no Domingo em Joanópolis, no seu caminho de volta.

Meu aniversário foi no Sábado e como não gosto de comemorar e sempre costumo fugir nessa data, fomos pra Joanópolis no Sábado.

No meio do caminho pedi pro Ricardo parar para que eu colocasse minha capa de chuva, o céu estava preto à nossa frente. O Ri já tinha comprado a capa de chuva dele, mas achou que não ia chover, teimando comigo, e não colocou a capa. Ah, se ele tivesse ouvido a mulher dele! Nem bem saímos e a chuva torrencial caiu... Eu dava risada, o Ricardo ficou encharcado na hora.

O nosso encontro estava marcado no domingo no Caipirão, mas o Ri quis almoçar lá também no sábado. Chegamos em Joanópolis e fomos direto pra lá. Assim que chegamos já vimos muitas motos paradas no estacionamento. Tomamos uma boa cervejinha, pestiscamos antes de almoçar, depois almoçamos, tudo sem pressa. Tinham duas mesas de dois motoclubes almoçando lá, alguns vieram conversar conosco, falamos de nossos planos de viajar pro Atacama. É incrível como essa viagem pro Atacama de moto é mitificada, as pessoas morrem de vontade de fazer, mas morrem de medo. Até motoqueiros experientes não tem coragem pra encarar essa aventura, e nós, eu e Ricardo, com seis meses de moto já vamos cair na estrada sem pestanejar. Será que a gente regula bem?

Fomos procurar uma pousada pra dormir, paramos na Casa do Artesão, uma moça gentil nos passou os telefones das principais pousadas, mas todas já estavam lotadas. Acabamos ficando numa pousada no centro da cidade, não era exatamente o que a gente queria, mas estava bom. Chegamos na pousada e desmaiamos, só acordando pro jantar.

Caminhando na cidade descobrimos um restaurante chileno, lugar ideal pra jantar. De entrada, empanadas chilenas, prato principal para mim panquecas e pro Ricardo lagarto recheado,tudo acompanhado de um bom vinho chileno. Foi uma noite perfeita.




No dia seguinte, saímos do hotel cedo e fomos passear até a cachoeira dos Pretos. Depois passamos pela praça e estava tendo uma comemoração. O padre estava fazendo aniversário de ordenação, cantando Raul Seixas na praça.

Fomos pro ponto de encontro. Ao chegar no Empório Cachoeira e RicardoM veio em nossa direção já de braços abertos. Conhecemos a Lúcia, esposa dele, e ficamos batendo papo até o Nairo chegar. Quando ele chegou sugerimos almoçar no restaurante chileno, pra entrar no clima, eles aceitaram e fomos pra lá.

Eu e Lúcia tomamos um cervejinha, enquanto os garotos tomaram suco, afinal eles ainda iam pegar estrada.  Adorei conhecer a Lúcia, é uma pena que ela não irá conosco, seria uma ótima companhia. Ela disse que ficou feliz por estar indo uma mulher, pra vigiar um pouco esses homens, ver se estão comendo bem, tomando água, essas coisas... Podem ficar tranqüila, Lúcia e Luciana, que vou ficar de olho nesses meninos.

O encontro foi bem proveitoso, nos conhecemos um pouco e já sei que terei um companheiro de sobremesas, guloseimas e afins, né, RicardoM?! Também decidimos mudar a rota, pra ganhar mais tempo. Conversamos bastante, resolvemos um monte de coisas, outras ainda terão que ser resolvidas, mas no geral as coisas estão caminhando bem.

O RicardoM e Lúcia foram de carro, então voltamos com o Nairo, que também estava de moto.

A volta foi tranqüila, fomos na frente e o Nairo atrás. Vimos a chuva chegando e paramos pra colocar a capa, mas a chuva nos pegou... Quase chegando em São Paulo, o Ricardo se distraiu e quase perdeu a entrada pra São Paulo, mas o Nairo perdeu, mas conseguiu retornar. Fomos juntos até a Av. 23 de Maio, onde cada um seguiu seu rumo.

Niterói

Essa viagem pra Niterói foi mesmo para ver a família do Ricardo, fazia mais de um ano que não íamos pra lá.

A viagem de ida foi tranqüila, saímos na sexta feira depois do almoço e antes de escurecer já estávamos no Rio. Dessa vez paramos três vezes, pra abastecer e pra ir ao banheiro.

Chegamos no Rio na hora do rush, e a Av. Brasil estava bem carregada, andando, mas bem carregada.  Paramos pra abastecer e descobrimos que teria um encontro de moto no Rio nesse fim de semana. É incrível a diferença do trânsito. Em São Paulo, os carros de uma certa forma respeitam as motos e abrem corredor quando o trânsito para. Já no Rio eles querem é fuder o motociclista. Não dão passagem e se duvidar ainda jogam o carro pra cima. Os motociclistas tem que andar que nem uns loucos costurando entre todas as faixas. E como nossa moto estava com os baús laterais, tínhamos que andar atrás dos carros. Na ponte Rio-Niterói a situação piorou um pouquinho.

Decidimos ir embora no sábado, depois de encontrar o primo do Ricardo, André. Ele estava num clube, reunido com uma galera de diferentes moto-clubes. Foi muito divertido, eles estavam brincando com um jogo do WI de danças, e ver aqueles caras todo de preto e caras de mau rebolando na frente da TV com o controle na mão, foi hilário. Conhecemos o Coruja que já havia viajado pro Atacama de moto e nos deu várias dicas, mostrou vídeo, foi muito bom. Acabou ficando tarde e resolvemos dormir mais uma noite em Niterói.

No dia seguinte fomos pra praia, eu estava doida pra dar um mergulho, fazia mais de um ano que não ia pra praia. Então fomos pra Itacoatiara, uma praia linda, cheia de famílias com crianças. Quando pisei na água desisti do meu mergulho, a água estava congelando, e achei que molhar só os pés estava bom demais. Voltamos pro hotel pegamos a tralha e caímos na estrada.

A quantidade de Harleys na estrada era um absurdo, não eram poucas não, eram muitas. Então descobrimos que o encontro era da Harley Davidson.

O calor estava insuportável, senti na pele como será a viagem ao Atacama. A Serra das Araras, é lindíssima,  e ainda bem que já não tinha tanto medo de curvas, afinal a serra é só curvas. Logo no final da serra tem o Restaurante do Fritz, onde paramos pra degustar um divino joelho de porco com batata rosti e salada de batatas por inacreditáveis R$ 21,00, a melhor escolha da serra.

Quase chegando em Aparecida começou a me dar sono, mas era um sono incontrolável, me pegava de olhos fechados quase dormindo, nem sentia onde estava, o Ricardo fazia curvas e eu brigando comigo mesma pra deixar os olhos abertos. O intercomuinicador estava com tanto chiado que não dava pra entender o que o outro falava, cutuquei o Ricardo e ele parou no primeiro posto. Ele foi abastecer e eu precisava tomar um chá gelado que não tinha, peguei uma água e me sentei num banco e percebi que não estava com sono, mas sim com a pressão lá em baixo. Joguei água no corpo todo pra resfriar um pouco. Comecei a me sentir melhor. Um casal de uns 50 anos que estava de Harley parou do nosso lado e começou a puxar conversa, a mulher estava totalmente desesperada de dor na bunda, perguntou se eu já estava acostumada e disse que a gente nunca se acostuma com a dor. Ela olhou pro banco da Versys e falou: “Ah, mas seu banco é muito melhor que o meu!”. Imagino como ela devia estar sofrendo, se o meu era melhor, o dela não era nada.

Depois não passei mais mal e a vigem ficou bem melhor, mas é claro, tivemos que parar mais uma vez pra dar um descanso pra bunda.



Paraguai - Quarto e último dia - 30/10/2011

Tínhamos que almoçar em Curitiba, faltava pouco, uns 200 km. A viagem rendeu e logo chegamos.

Fomos para a Feira de Artesanato. São várias ruas, centenas de barracas com os mais belos trabalhos. Sempre amei essa feira, e é impossível não comprar nada.  Outra coisa que precisava fazer era comer o Pierogue, uma massa recheada de carne de porco ou ricota de descendência polonesa, parece um ravióli grande, e é divino. A vó de uma amiga era polonesa e fazia em casa esse prato, eu adorava vê-la preparando a massa, recheando,fechando, cozinhando, pradepois comer um montão, mas ela chamava de outro nome que nem sei repetir. Saudades Dona Stefânia. Lembranças de infância... Muito bom recordar e sentir de novo o gosto...

O céu estava se fechando em cima de nós e ainda teríamos que ir pra São Paulo, dessa vez a visita a Curitiba, essa cidade que eu adoro, foi mesmo rapidinha...

Paramos num posto pra abastecer e comprar água e aproveitei pra colocar capa de chuva. Ainda bem que fiz isso. A chuva começou e não parou mais até chegarmos em casa.

Na serra do Cafezal, novamente muito trânsito, mas dessa vez tinha a chuva. O Ricardo estava sem capa e estava encharcado, eu estava de capa, mas estava morrendo de frio. Tivemos que parar pra tomar um café umas três vezes, pra ver se a gente se aquecia um pouco,  mas isso parecia impossível, meus dentes não paravam de bater. A viagem foi terrível, aquele transito infernal, muitos caminhões, chuva, frio, dor...

Se fosse pra desistir acho que essa seria a hora.

domingo, 13 de novembro de 2011

Paraguai - Terceiro dia - 29/10/2011

Finalmente o dia das compras tinha chegado!
Logo que saímos do hotel começou a chuva começou a cair. Paramos num posto, mas percebemos que a chuva ia demorar a passar, então partimos rumo à Ponte da Amizade em baixo de chuva.
Paramos num estacionamento do lado brasileiro, pois achamos arriscado entrar com a moto no Paraguai. A chuva não cessava, então colocamos nossa coisa dentro da mochila do Cachorro Loco do Ricardo, que dizia ser impermeável. Compramos duas capas de chuva por R$5,00, um roubo, e a do Ricardo rasgou assim que ele colocou o braço.
Ao atravessar a ponte, a chuva só aumentava, o vento jogava água para todos os lados e aquela capinha não servia pra nada, já estávamos encharcados.



Fomos procurar as lojas de acessórios para motos, entrávamos num shopping, em outro e cada vez que saíamos a chuva parecia mais forte. Estava um inferno. As calçadas são cheias de barracas, tipo as dos nossos camelôs, nem dá pra vê o céu, pois as lonas são montadas umas em cima das outras, cobrindo tudo, e todos se espremiam pra não se molhar.
Eu estava de galocha, então meus pés era a única parte do meu corpo que estava seca, a jaqueta de moto estava razoavelmente seca, mas as mangas estavam bem molhadas. Estava com calça jeans de moto, mas sem as proteções, o que a deixava mais larga, e com o peso da água ela ficava caindo e estava muito pesada. O Ricardo estava todo molhado, a jaqueta dele estava ensopada e seus pés nadavam dentro da bota.
As ruas viraram rios, ou melhor, corredeiras. Daquelas ladeiras descia uns dez centímetros de água. A cada passo que a gente dava, a água subia até os joelhos. As barracas pareciam que iam voar de tanto vento. Ainda era manhã mas havia virado noite, o céu estava preto e trovejava sem parar.
Depois de entrar em praticamente todas as lojas de moto, decidimos comprar as botas. Quando sentamos na loja percebemos que havia entrado muita água na mochila e tudo que estava dentro estava encharcado.
Saímos da loja calçando as botas, mas como nossas meias estavam molhadas colocamos as botas sem meias, as costuras estavam pegando na pele, sabia que não ia agüentar voltar caminhando, então resolvi o problema com pedaços de fita adesiva que peguei da loja, colei na pele onde a bota raspava e pronto!
Tínhamos pressa. Ainda teríamos muito pra rodar nesse dia. Paramos pra comer no Mc Donald’s (não me atreveria a comer em outro lugar na fronteira). Antes de atravessar a ponte de volta ainda conseguimos achar o intercomunicador.
O tempo já estava melhor. A chuva tinha parado e o sol ameaçava sair.
Mesmo tendo comprado pouca coisa, achamos melhor declarar nossa compra. As peças de uso pessoal, como botas e acessórios não foram declaradas, pois passariam da cota. Declaramos apenas o intercomunicador, pois é eletrônico e poderíamos ter problemas caso a polícia nos parasse. Ainda bem que não demorou muito.
Saindo de Foz ficamos assustados, parecia que tinha acabado de passar um furacão. Ainda bem que estávamos entrando e saindo de shoppings, protegidos. Não posso nem imaginar o que poderia ter acontecido conosco se estivéssemos em cima da moto na estrada. Não havia sobrado um outdoor inteiro, todos estavam retorcidos, árvores no chão, galhos e folhas jogados por todos os lados. Ao passar pela Polícia Rodoviária vi um policial atravessando a pista pra pegar um pára-choques de um dos carros batidos que deve ter voado pro outro lado. Parecia um cenário de filme. Tudo destruído.  O vento ainda estava forte, mas nada que a gente não tivesse passado antes.
O dia tinha sido longo. Estávamos exaustos, minha bunda doía de tal jeito que não conseguia mais ficar sentada. A dor estava acumulada desde o primeiro dia, mesmo descansando a noite, quando sentava na moto, apenas os primeiro minutos eram sem dor, depois era uma dor insuportável que não sei como agüentei. Paramos num hotel na beira da estrada. Preço bom, parecia legal, estava tão cansada que estava ótimo. Tomei um chá na recepção que caiu como uma luva, pedimos lanches pois o restaurante ia fechar. Chegando ao quarto tomei banho e desmaiei, nem comi meu lanche.

Paraguai - Segundo dia - 28/10/2011

Tínhamos que tirar o atraso e cumprir o segundo objetivo; dormir em Foz.

Não acordamos muito cedo, mas acordamos descansados, o que era importante, já que teríamos que rodar 870km.

Ao sair do hotel, um funcionário da recepção viu que estávamos de moto e começou a nos fazer perguntas, também era motociclista. Falamos da nossa viagem até Foz e comentamos que iríamos pro Atacama. Quando falamos que tínhamos uma Kawasaki ele disse que desconfiava da confiabilidade da marca, coisa de japonês...

Até chegar na Serra da Graciosa estava tudo bem, o dia prometia ser quente. Chegando na Serra nosso pesadelo voltou; o trânsito. Agora eram mais ou menos 20 caminhões pra cada carro e sem acostamento. Nossa moto parada gera um calor absurdo pro piloto e pro garupa, fora o peso da moto, mais o medo de algum caminhão nos esmagar contra outro, tudo isso deixando a viagem mais tensa do que deveria.


A essa altura já estava me acostumando com a moto. Já conseguia me mexer em cima dela, mas a dor na bunda só aumentava.

Apesar de estar agarrada ao meu marido, a viagem era solitária, com o barulho do vento não dá pra entender nenhuma palavra que o outro diz, não dá pra comentar uma cena vista, uma barbeiragem de alguém, dizer que sente sede, fome, cansaço, nada. Até dá pra apontar alguma coisa, mas não consegue dizer o que queria mostrar. Então você fica só com o seu pensamento. E quando para a moto pra abastecer, ou beber uma água, você já esqueceu tudo que queria dizer...

Foi nessa viagem, sozinha com meus pensamentos que tive a idéia de fazer esse blog. Ficava pensando em que nome colocar, o que escrever, então a viagem foi passando mais rápido.

A noite foi chegando e ainda faltavam muitos quilômetros, toda vez que via uma placa com a distância, estava com a cabeça virada pro outro lado e não conseguia ver. Tentava ver quanto já tínhamos rodado por cima do ombro do Ricardo, mas o lusco-fusco do anoitecer também não me deixava enxergar.  Me virei pro lado direito e grudei o olho pra ver uma placa e quando finalmente consegui ver, ainda faltavam 320km. Tudo doía. Já tinha tomado uns dois Dorflex, que funcionava apenas nos primeiros cinco minutos, depois doía tudo de novo e muito mais. Quando vi uma placa mostrando que faltavam apenas 83km, quase chorei. Na verdade estava quase chorando mesmo, eu não agüentava mais. A dor na bunda era insuportável, e não tem o que fazer porque você tem que continuar sentado em cima da dor.

Doze horas depois, chegamos em Foz. Eu nem acreditava, acho que já estava chorando. E então,tínhamos que achar um hotel. O primeiro que paramos estava cheio. Não queria mais subir na moto, quando sentava doía muito. O segundo hotel também não tinha vaga. Me lembrei da viagem que fizemos ao Nordeste de carro, em algumas cidades chegamos a entrar em umas vinte pousadas até achar uma que tivesse vaga. Temi reviver isso de novo, mas meu temor não se confirmou. O terceiro hotel tinha vaga e estacionamento pra moto, o preço cabia no nosso bolso, fechamos na hora, sem nem olhar o quarto.

Jogamos as coisas na cama, tiramos a roupa de moto e fomos jantar num quiosque ao lado de hotel, pois o restaurante do hotel já tinha fechado.  Foz do Iguaçu deve ter a maior concentração de carros equipados com som potente, e um estava justamente ali, no estacionamento do restaurante, ao lado do hotel. O som do camarada era tão alto que a vibração do som fazia o cd pular o tempo todo e não tocava nenhuma música inteira.  

Achei que isso nos incomodaria no quarto, mas nem ouvimos, apagamos.

O segundo objetivo estava cumprido.

Paraguai - Primeiro dia - 27/10/2011

O Ricardo estava em banco de horas e quando descobriu que eu não teria aula no dia seguinte falou: Vamos dar um pulinho no Paraguai, fazer umas comprinhas?

Eu não acreditei que ele estava falando sério. Enrolei, enrolei, mas não teve jeito, arrumei umas roupas e subi na garupa.

Saímos por volta das cinco horas da tarde, e pegamos muito trânsito. Levamos uma hora e meia pra chegar na Regis Bittencourt. Já estava morrendo de fome e paramos no primeiro posto pra jantar.  

Nunca tinha viajado de moto à noite antes e estava morrendo de medo, ainda mais por estar na Regis. Já era noite escura, e pude perceber as vantagens em viajar de moto. Observava um céu negro cravejado de brilhantes estrelas. Nem olhava pra estrada, tinha até esquecido que estava sentada numa moto. Apenas observava aquela cena magnífica, numa escuridão onde os faróis dos carros não conseguiam apagar as estrelas. De repente vi um faixo de luz cruzar o céu. Fechei os olhos e abri procurando de novo aquele brilho, mas a estrela já havia se jogado. É sempre fantástico ver uma estrela cadente, e sempre que vê você se pergunta se aquele espetáculo foi real. E foi... Fechei os olhos bem apertados e fiz um pedido. Mas não posso contar o que foi...

Essa deliciosa sensação de estar livre na estrada não durou muito. Achamos que só pararíamos de novo em Curitiba. Doce Ilusão! Desde pequenininha, quando ia de carro pra Santa Catarina visitar parentes de minha mãe, a tal da Serra do Cafezal está em obras de duplicação. Essa sempre foi a pior parte da ligação entre o Sudeste e o Sul do país.

Por causa de uma carreta tombada, a Serra estava parada, cheia de caminhões, acho tinha uns dez caminhões pra cada carro na estrada. Passar entre os caminhões foi uma tarefa muito difícil, em cartas partes, impossível.  O jeito foi andar pelo acostamento, quando tinha, mas não tinha muito. De novo o medo... Eu estava muito cansada, com muito sono, exausta pelo dia que foi puxado até ali. Falei pro Ri parar em qualquer lugar pra dormir.

Então, quase seis horas depois  de ter saído de casa, chegamos em Registro, tínhamos rodado apenas 190 km.

Quando saímos de casa tínhamos 4 objetivos:

1 –Dormir o primeiro dia em Curitiba

2- Dormir em Foz no segundo dia

3- Dormir em Curitiba no terceiro dia

4- Almoçar na feira de artesanato de Curitiba

A essa altura já estávamos atrasados, mas já eram onze da noite e eu não agüentava mais. Entramos em Registro e as ruas estavam escuras. Achamos um hotel mas estava sem luz,um caminhão arrastou alguns fios da rede elétrica e acabou deixando a cidade no escuro,  mas com meu cansaço, eu queria mesmo era uma cama.

sábado, 12 de novembro de 2011

Treinando nas curvas

  Até agora minha pouca experiência na estrada se resumiu a retas e as poucas curvas, onde eu fui um desastre. Resolvemos dar uma voltinha para que nos acostumássemos mais com a moto.
  Saímos cedo de casa e fomos pra Mairiporã pela Fernão Dias, mas antes tínhamos que sair da cidade, marginal...
  Já havia perdido o medo de andar no corredor, já andava de olho aberto. E por isso vi muito bem dois motoqueiros caídos no chão dentro do túnel do Anhangabaú, um deles provavelmente quebrou a clavícula, pois estava com o queixo colado no chão e com o ombro visivelmente deslocado, os dois estavam de bermuda e camiseta, imagino que se ralaram muito também. Vendo essa cena vi a importância de andar bem equipado. Mas o medo voltou... Estava até parecendo um mau presságio, mas foi só impressão.
   Que lugar melhor pra testar curvas do que a Fernão Dias?  Na verdade, não era só eu quem estava insegura nas curvas, o Ri também não tinha ainda confiança na moto, e pilotar sozinho é uma coisa, com uma garupa inexperiente, é outra.
  Consegui ficar de olhos abertos nas curvas, mas estava agarrada no Ricardo, prendendo ele com as pernas. Tentava acompanhar o corpo dele colando o peito nas costas dele, mas percebi que estava atrapalhando então relaxei um pouco.
  Contornamos a represa, demos umas voltinhas e paramos no centro pra tomar café-da-manhã. Ainda eram dez horas... Então resolvemos ir pra Atibaia.
  Fomos direto ao centro, paramos a moto e caminhamos um pouco e fomos pra Pedra Grande, depois pegamos o rumo de casa.
  Na volta, optamos pela estrada da Roseira, que serpenteia pela Serra da Cantareira. O asfalto estava novinho em folha, mas junto com o recapeamento vieram lombadas, muitas lombadas, praticamente uma a cada 500m. O calor estava insuportável. E com aquele para e anda das lombadas, meu corpo todo estava dolorido.
  Paramos num restaurante na serra para almoçar e não resistimos à cervejinha pra relaxar e refrescar. Almoçamos bem, comemos um docinho, cafezinho e pé no caminho...
  Logo depois do posto policial no topo da serra o tempo mudou drasticamente, e um vento frio arrepiou até a alma...
   Resultado: eu e Ricardo pegamos uma puta gripe!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A segunda viagem

  Pois é... Como fui pra São Paulo com poucas peças de roupa, e decidi ficar de vez em Sampa, tinha que voltar à Marília para pegar mais coisas. E é claro que iríamos de moto, afinal, precisávamos nos acostumar a viajar.
  O Nairo, que trabalha com o Ricardo já havia cutucado a gente falando de ir pro Atacama de moto. Eu já tinha aceitado e o Ricardo precisava resolver as férias dele. Então precisávamos andar...
  Antes de comprar a moto, compramos as roupas, que diziam se impermeáveis. Jaquetas Joe Rocket pros dois e calça apenas pro Ricardo. E tínhamos apenas uma capa de chuva, que o Ri comprou pra ele, mas que ficou pequena pra colocar por cima da jaqueta.
  No dia que fomos pra Marília estava chovendo fraco, então cooquei a calça da capa de chuva e fui com a Jaqueta que dizia ser impermeável, coloquei uma bota de caminhada impermeável, porém de cano curto.
  Ainda em São Paulo senti água entrar na bota. Ao chegar na estrada senti água entrar na jaqueta, o frio estava forte. Uma hora depois pedi pro Ri parar, mas já era tarde demais, estava encharcada... Coloquei a capa de chuva pra ver se cortava um pouco o frio. O Ri disse que estava seco, continuamos, e a chuva conosco. Fomos com chuva forte até Bauru, 350km depois. Paramos um pouco e os dois estavam encharcados e congelados. Tomamos um café pra esquentar e seguimos até Marília. Quando chegamos tomamos um banho quente pra esquentar e desmaiamos sem nem ao menos comer alguma coisa.
  Achei que essa seria a pior viagem de todas que ainda faríamos, mas estava enganada, já tiveram piores. Mas gostei de viajar sem mochila nas costas. Ainda estava dura em cima da moto, não conseguia me mexer direito, e não tinha me acostumado a ver apenas uma parte da estrada, já que tem um grande capacete na sua frente. Eu tentava olhar a estrada pelo lado esquerdo do capacete do Ricardo, então todo o lado direiro do meu corpo começava a repuxar, mas não conseguia virar de lado, como se estivesse colada naquela posição. O engraçado é que na primeira viagem isso também aconteceu, mas do lado contrário, então sabia que conseguia ficar do outro lado, mas naquele dia não.   
  A estrada pra Marília é uma reta só, com algumas poucas curvas antes de chegar em Bauru, e nas curvas sentia medo e fechava os olhos, como uma criança na montanha russa. Há uns dez anos atrás levei um tombo de moto, com um namoradinho, numa curva com óleo. Acho que traumatizei...
  Mas apesar de toda a dor, a vontade de viajar estava crescendo...
  Voltei pra Sampa de carro e o Ri de moto, tirei várias fotos dele do celular...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A primeira viagem

  A primeira viagem que fiz na garupa da moto foi meio sem querer e sem preparo nenhum. Estava morando em Marília e meu marido ia pra lá todos os finais de semana, num desses finais de semana disse pra ele: Vou voltar pra São Paulo com você!
  Separei meia duzia de roupas, montei na garupa e fui...
  Acontece que essa meia duzia de roupas foram colocadas numa mochila junto com outras tantas coisas e essa mochila aparentemente leve foi de Marília à São Paulo nas minhas costas.
  Foram 450km, aproximadamente, e seis paradas pra descansar a bunda e as costas. Tudo incomodava. O peso da mochila, o vento, o cabelo que soltava um fiozinho e ficava se debatendo dentro do meu capacete.
  Mas a sensação de viajar de moto...
  Ficou a vontade de viajar mais...