domingo, 13 de novembro de 2011

Paraguai - Segundo dia - 28/10/2011

Tínhamos que tirar o atraso e cumprir o segundo objetivo; dormir em Foz.

Não acordamos muito cedo, mas acordamos descansados, o que era importante, já que teríamos que rodar 870km.

Ao sair do hotel, um funcionário da recepção viu que estávamos de moto e começou a nos fazer perguntas, também era motociclista. Falamos da nossa viagem até Foz e comentamos que iríamos pro Atacama. Quando falamos que tínhamos uma Kawasaki ele disse que desconfiava da confiabilidade da marca, coisa de japonês...

Até chegar na Serra da Graciosa estava tudo bem, o dia prometia ser quente. Chegando na Serra nosso pesadelo voltou; o trânsito. Agora eram mais ou menos 20 caminhões pra cada carro e sem acostamento. Nossa moto parada gera um calor absurdo pro piloto e pro garupa, fora o peso da moto, mais o medo de algum caminhão nos esmagar contra outro, tudo isso deixando a viagem mais tensa do que deveria.


A essa altura já estava me acostumando com a moto. Já conseguia me mexer em cima dela, mas a dor na bunda só aumentava.

Apesar de estar agarrada ao meu marido, a viagem era solitária, com o barulho do vento não dá pra entender nenhuma palavra que o outro diz, não dá pra comentar uma cena vista, uma barbeiragem de alguém, dizer que sente sede, fome, cansaço, nada. Até dá pra apontar alguma coisa, mas não consegue dizer o que queria mostrar. Então você fica só com o seu pensamento. E quando para a moto pra abastecer, ou beber uma água, você já esqueceu tudo que queria dizer...

Foi nessa viagem, sozinha com meus pensamentos que tive a idéia de fazer esse blog. Ficava pensando em que nome colocar, o que escrever, então a viagem foi passando mais rápido.

A noite foi chegando e ainda faltavam muitos quilômetros, toda vez que via uma placa com a distância, estava com a cabeça virada pro outro lado e não conseguia ver. Tentava ver quanto já tínhamos rodado por cima do ombro do Ricardo, mas o lusco-fusco do anoitecer também não me deixava enxergar.  Me virei pro lado direito e grudei o olho pra ver uma placa e quando finalmente consegui ver, ainda faltavam 320km. Tudo doía. Já tinha tomado uns dois Dorflex, que funcionava apenas nos primeiros cinco minutos, depois doía tudo de novo e muito mais. Quando vi uma placa mostrando que faltavam apenas 83km, quase chorei. Na verdade estava quase chorando mesmo, eu não agüentava mais. A dor na bunda era insuportável, e não tem o que fazer porque você tem que continuar sentado em cima da dor.

Doze horas depois, chegamos em Foz. Eu nem acreditava, acho que já estava chorando. E então,tínhamos que achar um hotel. O primeiro que paramos estava cheio. Não queria mais subir na moto, quando sentava doía muito. O segundo hotel também não tinha vaga. Me lembrei da viagem que fizemos ao Nordeste de carro, em algumas cidades chegamos a entrar em umas vinte pousadas até achar uma que tivesse vaga. Temi reviver isso de novo, mas meu temor não se confirmou. O terceiro hotel tinha vaga e estacionamento pra moto, o preço cabia no nosso bolso, fechamos na hora, sem nem olhar o quarto.

Jogamos as coisas na cama, tiramos a roupa de moto e fomos jantar num quiosque ao lado de hotel, pois o restaurante do hotel já tinha fechado.  Foz do Iguaçu deve ter a maior concentração de carros equipados com som potente, e um estava justamente ali, no estacionamento do restaurante, ao lado do hotel. O som do camarada era tão alto que a vibração do som fazia o cd pular o tempo todo e não tocava nenhuma música inteira.  

Achei que isso nos incomodaria no quarto, mas nem ouvimos, apagamos.

O segundo objetivo estava cumprido.

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