O grande dia havia chegado, entraríamos na Argentina. Para mim a viagem começa agora, já que daqui pra frente tudo é desconhecido.
Tínhamos marcado às 6:30 no café-da-manhã, mas o restaurante só abria às 7:00, então eu e o Ri fomos na farmácia. Como eu já estava suando desde que tinha acordado, nem coloquei a jaqueta, fui só de camiseta, com os braços de fora. O vento estava tão gelado que doía no osso. Achei ótimo, assim eu estaria livre do inferno. Mas foi só impressão, hoje foi o pior dia de todos, imagina o que virá amanhã que serão 850 km de reta. Logo que pegamos o rumo pra Argentina, sentimos que o dia seria quente.
Perdemos muito tempo na fronteira. Ainda do lado brasileiro, apenas dois guichês estavam funcionando, então a fila demorava a andar, então nós esperamos debaixo do sol. O Nairo foi o último a passar e a moto dele morreu e não queria mais pegar, foi preciso fazer pegar no tranco. O Ricardo amarrou uma cordinha de na moto dele e na do Nairo pra puxar, a moto pegou no tranco. Antes da viagem, nas inúmeras conversas por e-mails, a tiração de sarro era com o Ricardo, que a moto dele não ia agüentar, o Nairo comprou a cordinha para alguma emergência, e todos esperavam que fosse com a moto do Ricardo, mas acabou sendo com a do Nairo.
Logo que entramos na Argentina paramos pra abastecer. Nos relatos de outros viajantes, diziam que os postos de gasolina eram péssimos e que os banheiros eram terríveis, mas nesse primeiro posto estava tudo limpinho, aproveitei pra colocar uma leging por baixo da calça de moto, o tecido do forro estava me incomodando muito, preferi passar um pouco mais de calor do que ficar com a calça me irritando. A loja de conveniência era muito boa e cheia de quitutes ainda desconhecidos por mim.
Um pouco mais pra frente passamos no meio de uma cidadezinha, falei pro Ri que estava com fome, ele parou no meio da cidade, ao lado das motos de policiais, perguntamos onde podíamos comer e o guarda disse que mais pra frente. Eu já estava chingando o Ri estava com muita fome.
Paramos num restaurante muito simpático. Eu já pedi uma Coca Cola “muy helada!” e comecei a arrancar a roupa de moto, o calor estava insuportável. Pedimos um carré de boi que estava simplesmente perfeito, maravilhoso, de lamber os beiços.
Encontramos uma turma de moto, vindo do Rio Grande do Sul, mas que iriam passear só na Argentina, outra turma de São Paulo que estava viajando de Toyota Bandeirantes. Um argentino começou a conversar, é impressionante como as pessoas querem saber de onde somos, pra onde vamos... E sempre dizem que somos corajosos. Antes de sair molhei minha camiseta e bandana no banheiro pra refrescar um pouco. As motos ficaram no sol e foi difícil sentar nelas, estavam pelando.
Encontramos uma turma de moto, vindo do Rio Grande do Sul, mas que iriam passear só na Argentina, outra turma de São Paulo que estava viajando de Toyota Bandeirantes. Um argentino começou a conversar, é impressionante como as pessoas querem saber de onde somos, pra onde vamos... E sempre dizem que somos corajosos. Antes de sair molhei minha camiseta e bandana no banheiro pra refrescar um pouco. As motos ficaram no sol e foi difícil sentar nelas, estavam pelando.
Os postos de combustível tinham muita fila e não aceitavam “tarjetas”, e os preços estavam muito mais altos do que esperávamos. Num dos postos que paramos parou logo depois um ônibus de turismo brasileiro, com um monte de catarinas dentro. Trocamos idéias com eles e seguimos nosso rumo. Um detalhe muito interessante é que um pouco antes de pararmos quando fomos ultrapassar o ônibus, ele nos deu uma fechada, tinha que ser do Brasil, pensei.
Seguimos viagem pela Ruta 12, passamos pela Província de Missiones, e entramos na Província de Corrientes e depois entramos na Província de Reistência. Uma reta interminável. Um calor insuportável. O calor estava muito forte, minha pressão estava caindo e estava me dando muito sono, estava pescando, a sensação era péssima, eu queria manter os olhos abertos, então eu via tudo mas parece que estava desligada, meu cérebro parava de funcionar e quando percebia estava sonhando, acordava sempre assustada, o que é um perigo, pois posso desequilibrar a moto e derrubar a gente.
Passamos por dentro de uma cidade grandinha, e quando paramos no farol, perguntamos a um motoqueiro quanto graus estava e a resposta foi 45 graus, mas a sensação térmica era de uns 50 graus. Paramos num posto, pra abastecer e quando desci da moto vi uma torneira, fiz a festa. Me molhei inteira, ainda bem que cortei o cabelo antes da viagem, jogava água na cabeça, no pescoço, no peito, quando percebi todos da fila estavam chocados vendo eu me molhar, não entendi porquê. Na hora meu corpo resfriou uns dez graus. Antes de partir, falei pros meninos se molharem também e todos foram lá, e eu tive que me molhar de novo pois no tempo de abastecer a moto, já estava seca. A viagem seguiu um pouco mais fresca... nos dez primeiros minutos.
No meio do caminho decidimos dormir em Resistência ao invés de dormir em Corrientes, como havíamos planejado. Quando o sol começou a cair já estávamos perto. O sol começou a se por, estava um espetáculo maravilhoso, lembrei da Ciba... tem muitas fotos do pôr-do-sol argentino...
Chegando em Resistência, passamos por uma avenida bem movimentada, onde era proibido transitar motos. Foi muito engraçado, por onde passávamos todos ao redor nos olhavam, parecíamos ETs... Um brasileiro gritou: “Vocês chegaram no lugar certo, isso aqui é o melhor da Argentina!”.
Não demorou muito pra acharmos um hotel, é claro, demos umas voltinhas, mas achamos rápido. Já estava tarde. Saímos do hotel de Foz por volta de 8 da manhã e estávamos chegando em Resistência por volta das nove da noite. No primeiro hotel que paramos pra perguntar o preço ficamos. Era perto do centro, novinho, tinha “cochera”, café da manhã, tudo que precisávamos.
Jogamos tudo no quarto que era no segundo andar sem elevador e saímos pra comer. Fomos numa praça grande cheia de esculturas como toda a cidade, afinal, Resistência é a Capital das Esculturas na Argentina. Achamos o “cajero”, sacamos más pesos e fomos procurar um restaurante. Andamos, andamos, andamos e no final paramos no restaurante na rua do hotel, o primeiro que vimos. Después de comer uma empanadita de entrada e um super sanduiche no jantar.
No caminho do hotel passamos numa farmácia, o RicardoM tinha dito que a tomada era diferente e que não cabiam nossos eletrônicos para recarregar. As únicas coisas abertas na cidade eram farmácias, então fui procurar adaptador lá, mas não achei. Achei “mantega de cacao” pois meus lábios estavam totalmente ressecados e achamos uma faixa elástica pro Ri amarrar nos punhos que já estavam torrados. Desde o primeiro dia ele está usando a luva de verão, que é curta e não cobre os punhos, apesar de passar protetor solar estava virando uma queimadura muito feia, então tive a idéia de colocar micropore, mas o que tinha não ia durar muito mais.
No caminho do hotel passamos numa farmácia, o RicardoM tinha dito que a tomada era diferente e que não cabiam nossos eletrônicos para recarregar. As únicas coisas abertas na cidade eram farmácias, então fui procurar adaptador lá, mas não achei. Achei “mantega de cacao” pois meus lábios estavam totalmente ressecados e achamos uma faixa elástica pro Ri amarrar nos punhos que já estavam torrados. Desde o primeiro dia ele está usando a luva de verão, que é curta e não cobre os punhos, apesar de passar protetor solar estava virando uma queimadura muito feia, então tive a idéia de colocar micropore, mas o que tinha não ia durar muito mais.
Depois da longa jornada: CAMA! Que escrever blog, que nada! Agora entendem porque demorei tanto pra escrever? Ainda mais colocando tantos detalhes...
É dificil escrever, mas nao para nao que estamos aqui!
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