Acordamos cedo, mas ganhamos uma hora, pois na Argentina não tem horário de verão. Havíamos combinado de tomar café no terraço. Fui um pouco antes do horário combinado, me sentei e liguei o computador pra mandar um e-mail pra minha mãe, pra dizer que estava viva, pra garantir mandei com cópia pra minha irmã, como não tinha postado nada no blog era capaz de elas ficarem preocupadas.
O primeiro café-da-manhã argentino atrasou um pouco, mas chegou. Tantas coisas diferentes...
A gente ainda estava se acostumando um com o outro, afinal a gente não se conhecia, e, apesar de passar tanto tempo juntos, estamos distantes uns dos outros, até eu e o Ri, pois não usamos o intermunicador todos os dias. O tempo que ficamos juntos mesmo, são os momentos em que paramos, que até agora tem sido poucos.
A gente ainda estava se acostumando um com o outro, afinal a gente não se conhecia, e, apesar de passar tanto tempo juntos, estamos distantes uns dos outros, até eu e o Ri, pois não usamos o intermunicador todos os dias. O tempo que ficamos juntos mesmo, são os momentos em que paramos, que até agora tem sido poucos.
Hoje o dia ia ser difícil, teríamos que vencer “A Provicncia del Chaco”, uma reta de 850 quilometros, que todos dizem ser terrível, não há combustível, não há nada e o calor é infernal. Tínhamos que conferir. E lá fomos nós...
Antes de partir, O RicardoM comprou um tanque de 5l pra levar combustível reserva. A moto dele estava consumindo muito mais do que o esperado, mesmo com uma gasolina muito melhor que a nossa, já que não tem adição de etanol, a Freewind consumia mais que no Brasil, e 5 litros a mais podiam fazer a diferença.
Realmente era uma reta interminavelmente quente. O “Chaco” é um grande alagado pantanoso. A estrada é reta, mas tem subidas e decidas, quase imperceptíveis, mas tem. E tem alguns vilarejos entre as cidades maiores. A vegetação varia muito, vai de pasto a floresta. Vi uma plantação de girassóis, mas não estavam tão bonitos, já estavam amadurecendo e não estavam tão amarelos. Vi também pela primeira vez na minha vida, um confinamento de bois, enorme, gigante, não sei nem estimar quantos bois tinham ali.
Os postos argentinos são bem diferentes dos nossos, muitos não tem cobertura, e ao contrário dos relatos que li, os banheiros são bem limpinhos, quase todos tem até papel higiênico, sabonete líquido e papel toalha.
Até agora os meninos estavam comportados, andando na velocidade máxima de cada pista, mas se continuássemos assim não chegaríamos nunca, então eles começaram a acelerar um pouco...
E a gasolina do RicardoM evaporou, acabou tudo, não sobrou uma gota e a moto só parou quando perdeu toda a velocidade, pois já havia morrido há tempos.
E a gasolina do RicardoM evaporou, acabou tudo, não sobrou uma gota e a moto só parou quando perdeu toda a velocidade, pois já havia morrido há tempos.
A cada cidade ou vila, logo após a saída na estrada via bandeiras vermelhas, com cruzes. No começo pensei que fossem aqueles altares que fazem pra homenagear que morreu na estrada, depois comecei a ver uns muito esquisitos para serem altar, mas não descobri o que realmente eram.
O calor estava infernal, pra diminuir um pouco a temperatura, eu enchia a boca com água e jogava dentro da camiseta, assim viçava com o peito molhado e mesmo a água saindo quente, em segundos ela esfriava e ficava tudo fresquinho. Foi o primeiro dia de muito calor que não passei mal.
Acabando “el Chaco” entramos na Provincia de Salta. O Ri estava olhando o GPS e perdeu a entrada pra cidade de Salta. Conseguimos pegar a pista do outro lado, vimos uma entrada de terra pra via local, quando passamos por lá caímos num buraco fundo, o Ri se desequilibrou e eu também, estávamos bem devagar, o Ri não conseguiu segurar a moto e quando percebi que ia cair, me joguei no chão e deixei a perna esticada pra segurar a moto, caso ela caísse em cima de mim, mas isso não aconteceu. Caímos praticamente em câmera lenta. O RicardoM e o Nairo estavam com cara de espanto. O RicardoM pulou da moto pra me levantar, enquanto o Ri levantava os 250 quilos da moto num piscar de olhos. Eles estavam preocupados comigo, e perguntaram umas quinhentas vezes se eu tinha me machucado. Mas não aconteceu nada, quando percebi que a moto não ia ficar de pé, me joguei.
Passado o susto, achamos o caminho certo e fomos pra Salta. Cruzamos com um grupo de motociclistas que buzinou pra gente. É incrível essa cumplicidade entre os que viajam de moto, sempre que se cruzam acenam pro outro. E como estamos cruzando com outros motociclistas viajando! E todos brasileiros.
Chegando em Salta, demos de cara com uma praça bagunçada e cheia de trânsito, com ruas fechadas mas que o guarda liberou para passarmos. À procura de um hotel, chegamos na praça 9 de julho, e foi uma surpresa incrivelmente boa. A cidade era um charme. Paramos no Hotel Colonial, um hotel antigo, mas super charmoso, o preço estava dentro das possibilidades, então ficamos lá mesmo.
Enquanto os meninos foram levar as motos pra "cochera", uma camareira baixinha, gordinha e muito simpática me ajudou com as malas. O elevador era daqueles antigos com porta pantográfica de ferro e, no térreo a porta de fora tinha maçaneta para abrir. Chegando no andar um pequeno jardim de inverno, bem bonitinho. Tudo muito charmoso, o quarto então... uma coisa! Fiquei no quarto e comecei a organizar as coisas, baterias a recarregar, roupas pra lavar, a parte chata de uma viagem. Abri a janela e dei de cara com a praça, que tinha prédios ao seu redor com uma arquitetura fantástica, bem espanhola.
O Ri chegou e enquanto ele tomava banho, vi da janela uma procissão com música bem forte, com tambores e flautas. Era a celebração do dia de reis.
Depois do banho estendemos as roupas e fomos jantar. Demos uma volta na praça para ver as opções, decidimos jantar no primeiro. Ao sentar na mesa, o garçom estava demorando demais, e na mesa ao lado tinham três pessoas fumando e jogando a fumaça em cima de nós, tudo foi me irritando ao ponto de sair do restaurante e ir pra outro. Nos sentamos e pedimos três cervejas diferentes pra experimentar. Pedi ao garçom o menu em inglês, pois meu vocabulário em espanhol anda meio fraco e o inglês poderia ajudar na hora de descobrir os ingredientes de um prato. Desde então, o garçom falava em espanhol com os meninos e repetia tudo em inglês pra mim, apesar de eu só falar com ele em espanhol. É... um argentino!
Eu, Ri e Nairo comemos lhama, que estava divina e o RicardoM comeu uma salada.
Um senhor passou vendendo “ojas de coca”e o RicardoM comprou para enfrentarmos a travessia da Cordilheira dos Andes. Fomos pagar a conta direto no caixa, para agilizar um pouco, sabíamos que o serviço não estava incluso, como fez questão de lembras nosso “amável” garçom. A moça do caixa tentou nos cobrar a mais e o garçom pedia um valor maior que 10% de “propina”, eu estava querendo dar uma porrada naquele garçom idiota, e no final a moça do caixa não nos enganou e não demos nada de “propina” pro imbecil.
Eu, Ri e Nairo comemos lhama, que estava divina e o RicardoM comeu uma salada.
Um senhor passou vendendo “ojas de coca”e o RicardoM comprou para enfrentarmos a travessia da Cordilheira dos Andes. Fomos pagar a conta direto no caixa, para agilizar um pouco, sabíamos que o serviço não estava incluso, como fez questão de lembras nosso “amável” garçom. A moça do caixa tentou nos cobrar a mais e o garçom pedia um valor maior que 10% de “propina”, eu estava querendo dar uma porrada naquele garçom idiota, e no final a moça do caixa não nos enganou e não demos nada de “propina” pro imbecil.
Adorei o "comedor" escrito na bombaq de gasolina. Parabens pelo log, Mi, ta muito legal. Fico muito feliz por vc e pelo Ricardo :)
ResponderExcluirBjos
Bella